sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vontade estética-material

Apesar da tentativa do mundo material em submeter a vida aos seus desígnios puramente estéticos, o mundo intelectual frusta intermitentemente sua vontade.

A matéria organizada é um grosso resultado de sua própria vontade intrínseca, que ele mesma desconhece, e que a remete a uma superação constante. Mas essa superação não ocorre somente no campo estético, que é sua prioridade, também promove, como efeito secundário, o aparecimento do intelecto organizador. Essa intelectualidade emergente, provocada por força desta mesma matéria, que lhe permite expressar-se no mundo, acaba se tornando sua finalidade última, da matéria enquanto tal. Pois a sua expressão no mundo é estética, e por isso satisfaz sua vontade.

Por sua vez, o resultado imprevisto de sua própria vontade, da matéria ela mesma, de se superar, ou seja, o intelecto, ininteligível para ele mesma, é o que lhe permite sobrepujar-se materialmente além de suas ânsias mais irrefreáveis.

Assim o mundo estético, primeiro agente da transformação, sendo potência de sua própria vontade, consegue seu intento, não obstante passe a conflitar com o intelecto emergente. Pois o intelecto, apesar de favorecer a matéria, não está por ela subjugada, e pode, e escolhe outra finalidade como alvo, que não a estética. Então, desse conflito irreconciliável, ora a matéria sobrepuja, nos breves intervalos de tempo entre a transição dos pensamentos, a força intelectual e a submete à sua vontade estética, ora sucumbe, à vontade intelectual, e é escravizada pelo intelecto. Essa luta interminável entre a matéria puramente estética e o intelecto, dá origem à consciência, que nada mais é que o próprio conflito.

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