quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Hiper-informação, não criação
A inundação de informações desestimula o indivíduo a criar. Quando o consumir é mais forte que o criar, verme. Quando o consumir é muito mais forte que o criar, ameba. Quando o consumir é muitíssimo mais forte que o criar, protozoário. E se o humano já é viciado em consumir, por sua própria natureza, imagine isso potencializado ao limite. O sujeito consome o mundo à medida que o mundo o consome. Consome até mesmo comportamento, quanto dirá de todo o resto. Tudo é consumível. Inclusive ele mesmo. O que faz com o maior prazer, até mesmo sofreguidão. É uma fissura constante para consumir. E informação também é um consumível. Enquanto que a criatura inebriada por tantas informações sobre tudo, se perde nos prazeres visuais, táteis, sonoros, odoríferos e saporíferos. Para garantir a satisfação constante, contínua e intermitente. Entre tantas opções corpóreas e mentais de prazer o sujeito se perde. Já não quer fazer nada mais que consumir. Criar exige abandono temporário do consumo. Criar exige liberdade, até de si mesmo. Criar exige completa submissão à não-submissão. A mente, nascida do cérebro, é extremamente volátil, em termos de pensamento, e portanto muito influenciável por tudo que é empírico. Empírico são os cinco sentidos. Aquilo que afeta os sentidos atinge diretamente a mente, realizando uma mudança na sua configuração que reflete em todo o conjunto de pensamentos que rodeiam sem parar dentro do cérebro. Vários pensamentos são instantaneamente ativados pela visão, audição, olfato, paladar e tato. Os pensamentos são redes complexas excitadas pelo fluxo mental. A mente é a soma de todas redes. Os fluxos mentais são resultado da excitação empírica e formam também redes, neste caso, redes de fluxos. Assim que recebemos impressões do mundo, através dos sentidos, estes criam pulsos de excitação que atingem determinadas áreas do cérebro onde estão as redes neurais correspondentes. Desta área atingida espalham-se em todas as direções possíveis um fluxo físico-químico. Estes fluxos trombam uns nos outros alastrando-se por toda parte ao seu alcance.
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