Curta biografia dedutória de Kant
Antes de entrarmos na filosofia propriamente dita, deste fantasma gigante da literatura filosófica, passemos rapidamente em revista sua alegórica vidinha, conhecida e exemplarmente alardeada, em todas suas biografias, como sendo a mais chata de todas as vidas.
Nasceu, viveu e morreu na cidadezinha de Nuremberg, noroeste do império austro-húngaro, filho de um missionário sapateiro com uma mulherzinha desprezível. Como todo bom samaritano missionário, seu pai queria que o filho fosse pastor. Kant relutou calado. Foi embromando seu pai até conseguir concluir seus estudos na tão afamada universidade de Nuremberg. Aluno brilhante, mente astuta, angariou partido da cúria acadêmica e assim conseguiu, por mérito cerebral e recomendações eclesiásticas, alcançar a catedrática. Tornou-se enfim professor, título que lhe deu acesso às altas nobrezas reinantes, principalmente por puxar o saco dos nascentes burgueses que naquela época pré-iluminista batiam de frente com os já saturados poderes da igreja universal. Dos metafísicos de sua época, ele, Spinoza e pouquíssimos outros tinham coragem de escrever um tratado que não fosse de cabo a rabo recheado do tema deístico. Pode-se dizer que ele conseguiu subir no muro e lá ficou.
Kant adulto, em todos seus miseráveis dias, saia de sua casa túmulo e passeava dando um passeio, exatamente às 16:00, quando então os vizinhos e transeuntes aproveitavam e acertavam seus relógios.
Nunca casou nunca trepou. Por aí você já começa a perceber o tamanho do problema.
Resolvendo então adentrar heroicamente um tema praticamente tabu, elaborou em estilo pomposo, ao gosto dos príncipes e reis da nobreza claudicante, o magnífico e insofismável peso livro "Crítica da Razão Pura".
A partir desta publicação adentrou o estreito círculo dos aclamados e assim chamados "Filósofos". Mesmo em sua época já conheceu o sucesso literário, o que nem sempre ocorre nesse tipo de obra encriptografada, por demais enigmática para as mentes simples dos espíritos cidadânicos comuns, Nasci Simplex Morriris Simplex. Recebeu enfim, da mão de nobres senhores de terras, o titulaço, desejadíssimo de todos catedráticos, de Lord.
Então correligionários leitores dessa aventuróica panaceia mental, preparem-se, chega de prolegômenos, o pau vai cair a folha. Nas próximas páginas destrincharemos, degustaremos e evacuaremos o que esse mefistofélico Lord Kant escreveu, Bona Petit.
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